O Instituto DOT marcou presença na CryptoRave 2026, realizada em São Paulo no dia 9 de maio: um dos principais espaços da América Latina para debate sobre cultura digital, segurança e privacidade.
A convite da Derechos Digitales, o Instituto Dot compôs a mesa “Deepfakes, gênero e poder: desafios técnicos e regulatórios para enfrentar a violência facilitada pelas tecnologias” na pessoa de Bianca Kremer, nossa diretora científica, ao lado de Julia Abad (IDEC) e Clarissa Mendes (CGI.br), com moderação de Marina Meira, coordenadora de Políticas Públicas da Derechos Digitales.
O debate
A sessão trouxe urgência para um fenômeno em aceleração: a popularização de ferramentas de deepfake e seu impacto direto no agravamento da violência de gênero em ambientes digitais. Meninas, mulheres e pessoas LGBTIQA+ são afetadas de forma desproporcional pela criação e divulgação não consentida de imagens íntimas geradas por inteligência artificial, em um contexto global de intensificação de discursos misóginos e crescente conservadorismo.

Mesa “Deepfakes, gênero e poder” na CryptoRave 2026. Da esquerda para a direita: [Ximena Cuzcano, Marina Meira, Julia Abad, Bianca Kremer e Clarissa Mendes]. Foto: Adolpho Strambi
O encontro articulou dimensões técnicas e marcos regulatórios a partir de uma abordagem baseada em direitos humanos e interseccionalidade. Entre os materiais apresentados, destacou-se uma pesquisa da organização peruana Situada que analisou 105 aplicativos de deepfake disponíveis na Google Play Store — revelando padrões alarmantes: quase metade das plataformas não identificava seus desenvolvedores e suas interfaces ofereciam categorias projetadas quase exclusivamente para a sexualização de mulheres, classificadas como conteúdo “livre” e sem mecanismos efetivos de prevenção de abusos.
O debate também se baseou nos Princípios orientadores para uma reforma legislativa e de políticas públicas contra a violência de gênero facilitada pela tecnologia, guia lançado pela Derechos Digitales em parceria com o UNFPA, com recomendações para o desenvolvimento e reforma de marcos legais na região.
Nossa participação
Bianca Kremer, diretora científica do Instituto DOT, trouxe perspectivas a partir do ativismo e da pesquisa acadêmica, compartilhando reflexões e casos concretos com enfoques de gênero e raça: dimensões centrais para o trabalho do instituto sobre discriminação algorítmica e justiça de dados.
A sessão encerrou com um apelo coletivo: construir respostas técnicas e políticas eficazes contra a violência de gênero facilitada por tecnologias requer articulação regional, abordagem interseccional e marcos regulatórios à altura dos desafios.
O Instituto DOT é uma organização sem fins lucrativos dedicada à defesa dos direitos humanos e ao impacto em políticas públicas, atuando como ponto de conexão entre pesquisa, tecnologia e experimentação criativa.



